Os poemas e fotos aqui publicados, quando não identificados como sendo de outros autores, são de autoria de Antonio Augusto Biermann Pinto

terça-feira, 25 de agosto de 2015

FALARES

Perdemos silêncios bonitos
Nesses impulsos de falares
Nessas pressas de palavras
Nessas frases sem escora

Sumiram silêncios benditos
Nessa angústia de haver dito
Aquilo que, feio ou bonito,
Das almas e mentes aflora

Bons tempos em que a palavra
Por vezes ficava de fora
E tudo era dito em olhares
E compreendido na hora

Hoje as palavras não calam
Hoje a boca é senhora
E porque os olhos já não falam
É que os silêncios vão embora


sexta-feira, 24 de julho de 2015

UM DIA



Um dia saberemos
Como certas coisas são feitas
Porque muitas não são ditas
Quem decide quais as frases
Que devemos repetir

Um dia sairemos
Dessa guarda sem sentido
Que nos mantém em vigília
Mirando o nada infinito
Esperando o porvir

Um dia entenderemos
Que não somos como formas
Que não somos como cópias
E não sendo como querem
Seremos o nosso querer

Nesse dia acordaremos
E veremos que há mais sonhos
Que há mais mares e universos
Outras cores, novos versos

Novos jeitos de viver

quinta-feira, 23 de julho de 2015

POEMA DE SER ASSIM

Assim fossem os amores
Assim todos os sabores
Assim as palavras e as cores
Assim as estradas sem fim

O brilho que brilha no olho
A neve na ponta do galho
Assim fossem o orvalho
E a luz que ilumina o marfim
Assim a chuva e o vento
Assim o silêncio e o tempo
As coisas de fora e de dentro
Assim, exatamente assim
Assim o tudo que nasce
Assim o tudo que cresce
Todo jardim que floresce
Teria de ser assim
E tudo estaria direito
O mundo seria perfeito
Se tudo fosse do jeito
Que você é para mim...

terça-feira, 7 de julho de 2015

LINDEZA

Não vemos tudo o que há no mundo Sabemos algo, imaginamos muito Mas há no todo sempre alguma parte Que não se mostra ou só se vê por sorte
A vida, assim, ao nosso olhar se move Mas não sabemos seu desaguadouro É como um rio que sobre a terra corre Mas dentro dele é que se esconde o ouro
Pequenos rios que não percebemos Formam da vida o grande rio que vemos Correm no tempo, em um fluir sereno E em seus internos, com cuidado extremo, Guardam lindezas a desafiar bons olhos

sexta-feira, 17 de abril de 2015

QUINTAL DE CRONOS

O tempo é a saudade de tudo
Que um dia foi nosso mundo
E no fundo do fundo ficou

O tempo é uma gaveta fechada
Onde a vida mantém guardada
A lembrança do que importou

O tempo é um portão para o nada
Tentando manter trancada
Uma história que já passou

O tempo é um leão com asas
Vigiando o quintal das casas
Onde a nossa alma morou

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O POETA

O poeta nunca sabe quais as horas
O poeta não se importa com demoras
A piscina do poeta não tem bordas
O poeta amarra o tempo sem ter cordas

Que ao poeta não se exija traçar rotas
O poeta anda certo em linhas tortas
O poeta ainda fala línguas mortas
O poeta fecha os olhos e abre portas

O poeta arrasta dores como esporas
O poeta esconde amores nas amoras
O poeta, meus senhores e senhoras,
É o guardião das raras cores das auroras


terça-feira, 24 de março de 2015


Das coisas que vi
Nada se mostrou tão logo
Tudo pensei ter dois lados
Nunca me fiz de rogado
Tudo o que vi foi pensado
Nada me cruzou ao largo
Tudo guardei de algum modo

Das coisas que fiz
Nada me foi tão pouco
Nada ficou suposto
Ao tempo exposto
Cada lado do rosto
Queimou em janeiro
E gelou em agosto

Das coisas que vivi
Nada me disse nada
Nada foi por acaso
Nada restou perdido
Tudo é procura e sentido
Sigo o caminho e insisto

Vivo, não apenas existo

Rio São Francisco - Neópolis, SE

Rio São Francisco - Neópolis, SE